Academia Platão & Liceu Aritóteles Parte I

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Acesso em: 19:51 18/11/2005

Disponível em:

http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola

/academia/index.htm

 

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::::::: A Academia de Platão :::::::

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1. "Platão e Aristóteles,

1.1. duas grandes personagens,

1.2. não só na história da filosofia,

1.3. mas também na história da Humanidade.

1.4. Um e outro são génios (…)

1.4.1. homens que levaram

1.4.2. a aptidão que tinham

1.4.3. para exercer

1.4.4. o seu ofício – «filosofar» –

1.4.5. além dos limites conhecidos até aí.

1.5. Se a filosofia é uma arte de viver,

1.5.1. se Platão e Aristóteles

1.5.2. tentaram modificar

1.5.3. essa arte concretamente,

1.5.4. modificando os homens,

1.5.5. estes não seram nunca mais

1.5.6. depois deles

1.5.6. o que eram antes."

1.5.7. A. Bonnard, Civilização Grega (1980)

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::::::: PLATÃO ::::::::::::::::

::::::: Obras de Platão :::::::

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2. Platão,

2.1. cujo verdadeiro nome era Aristócles

2.2. (em homenagem ao seu avô),

2.3. nasceu em 428-7 a.C.

2.4. e morreu em 348-7 a.C.

3. Estas datas são bastante significativas:

3.1. o nascimento ocorreu no ano seguinte

3.2. ao da morte de Péricles;

3.3. a morte,

3.4. dez anos antes da batalha de Queronéia

3.5. que assegurou a Filipe da Macedónia

3.6. a conquista do mundo grego.

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::::::: Platão :::::::

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4. Platão é um nome

4.1. que, segundo alguns,

4.2. traduz a largura dos ombros de Platão

4.3. (platos significa largura)

4.4. cujo vigor físico

4.5. fez com que fosse homenageado

4.6. pelos seus feitos atléticos

4.7. na juventude.

5. Filho de Ariston e de Perictione,

5.1. Platão pertencia

5.2. a uma família tradicional de Atenas

5.3. e estava ligado,

5.4. pelo lado materno,

5.5. a figuras importantes

5.6. do mundo político.

6. Sua mãe descendia de Sólon,

6.1. o grande legislador,

6.2. era irmã de Cármides

6.3. e prima de Crítias.

6.4. Árvore Geneológica

6.4.1. da Familia Materna de Platão

6.4.2. (segundo J. BURNET)

 

7. Além disso,

7.1. num segundo casamento,

7.2. sua mãe Perictone

7.3. casa-se com Pirilampo,

7.4. personagem de destaque

7.5. da época de Péricles.

8. O pai de Platão

8.1. era descendente do rei Codro,

8.2. o último rei de Atenas.

9. O local de nascimento de Platão

9.1. é incerto.

10. A grande maioria dos autores

10.1. defende que o seu nascimento

10.2. terá ocorrido em Atenas,

10.3. mas poderá ter sido

10.4. na ilha de Égina,

10.5. como defendeu Diógenes Laércio,

10.6. havendo ainda

10.7. quem o considere tebano.

11. A possibilidade

11.1. de ter nascido na ilha de Égina

11.2. é reforçada

11.3. pelo facto de seu pai,

11.4. Ariston,

11.5. ter liderado a colonização desta ilha

11.6. pelos atenienses em 432/1 a.C.

12. Embora se saiba pouco

12.1. sobre a infância de Platão,

12.2. pensa-se que,

12.3. pertencendo

12.4. a uma família aristocrática,

12.5. a sua educação seguiu

12.6. os moldes educacionais gregos

12.7. que então vigoravam

12.8. seguramente preenchida

12.9. com as actividades

12.10. físicas e musicais

12.11. que eram apanágio

12.12. da antiga paideia.

13. Platão estava destinado

13.1. a participar activamente

13.2. na vida política de Atenas

13.3. e para isso

13.4. "recebeu a mais completa educação,

13.5. aquela que então se admite ser

13.6. a mais própria para aguçar a inteligência,

13.6. para domar a palavra

13.7. com vista à prática política,"

13.8. (A.Bonnard, 1980:522).

14. Platão estudou no gymnasium

14.1. do gramatista Dionísios,

14.2. e na palestra de Aristão de Argos.

15. Aprendeu música com Drakon,

15.1. aluno de Damon,

15.2. o famoso instrutor de música de Péricles,

15.3. e com Metellos de Akragas.

16. Os professores de Platão

16.1. eram unânimes em louvar

16.2. a sua destreza de pensamento,

16.3. a sua modéstia,

16.4. o seu gosto pelo trabalho

16.5. e interesse pelo estudo.

17. Platão estudou também desenho e pintura

17.1. e ter-se-á iniciado, ainda jovem,

17.2. na filosofia com Crátilo,

17.3. discípulo de Heraclito.

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::::::: Péricles :::::::

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18. A sua origem social

18.1. assim como o seu temperamento pessoal,

18.2. ligavam Platão ao ideal do século precedente

18.3. que dava à política

18.4. o mais alto significado na vida humana.

19. Assim, Platão atinge a vida adulta

19.1. almejando encontrar para a sua cidade

19.2. uma melhor configuração política

19.3. do que aquela que então era vigente.

20. A poesia e a política

20.1. despertaram desde cedo

20.2. o interesse de Platão.

21. Consta que,

21.1. depois de ter conhecido pessoalmente Sócrates,

21.2. Platão terá queimado publicamente os seus poemas.

22. Alguns autores entendem

22.1. que a influência de Sócrates

22.2. terá sido determinante nesta sua atitude,

22.3. mas outros consideram

22.4. que essa atitude representou para Platão

22.5. a ruptura com a poesia

22.6. e a dedicação à filosofia.

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::::::: Sócrates :::::::

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23. Platão encontrou Sócrates pessoalmente

23.1. quando tinha vinte anos

23.2. (e Sócrates sessenta e três).

24. Após este encontro,

24.1. e durante os oito anos seguintes,

24.2. foi um fiel seguidor de Sócrates,

24.3. assistindo às discussões

24.4. em que Sócrates constantemente se envolvia,

24.5. às acusação de que foi alvo

24.6. e à sua condenação à morte.

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::::::: A Morte de Sócrates :::::::

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25. Platão acompanhou de perto

25.1. todos os passos do julgamento de seu mestre.

26. O fim trágico do julgamento

26.1. marcou-o profundamente,

26.2. deixando sequelas para o resto da sua vida.

27. Depois da condenação à morte de Sócrates,

27.1. em 399 a.C.,

27.2. desiludido com a democracia ateniense,

27.3. Platão abandona Atenas durante doze anos.

28. Refugiou-se em Mégara com alguns amigos,

28.1. num círculo de estudos

28.2. em torno de Euclides,

28.3. descípulo socrático

28.4. e o pai da geometria,

28.5. e aí permaneceu cerca de três anos.

29. Aproveitou,

29.1. então,

29.2. para efectuar outras viagens,

29.3. nomeadamente a Cirene,

29.4. onde estudou matemáticas com Teodoro;

29.5. a Itália,

29.6. onde terá contactado com os pitagóricos;

29.7. e ao Egipto,

29.8. onde teria sido iniciado nos mistérios de Isis.

30. Contactou com o regime de educação de Esparta,

30.1. onde os meninos eram retirados aos seus pais

30.2. para viverem uma vida dura nas montanhas,

30.3. em exposição aos elementos naturais.

31. Há quem afirme

31.1. que terá estado em Creta

31.2. onde teria estudado a legislação de Minos;

31.3. na Judeia,

31.4. onde teria contactado com a tradição dos profetas

31.5. e até nas margens do Ganges,

31.6. onde teria aprendido a meditação mística

31.7. dos hindus.

32. Aos quarenta anos,

32.1. Platão vai para Siracusa,

32.2. cidade luxuosa,

32.3. onde viveu na corte de Dionísio I (o antigo).

33. Aí conquista a amizade

33.1. e a inteira confiança de Dion,

33.2. cunhado do tirano Dionísio.

34. Essa ligação com Dion,

34.1. talvez o laço afectivo mais forte

34.2. da vida de Platão,

34.3. representa também o início

34.4. de reiteradas tentativas

34.5. para interferir na vida política de Siracusa,

34.6. procurando pôr em prática

34.7. o seu modelo de sociedade ideal,

34.8. em que os governantes eram os filósofos.

35. A filosofia passa a ser para Platão

35.1. uma oportunidade de organizar

35.2. e realizar uma comunidade humana

35.3. fundada na justiça.

36. Não tendo êxito

36.1. na sua primeira investida

36.2. de converter o tirano Dionísio

36.3. às suas ideias filosóficas,

36.4. regressou a Atenas,

36.5. em 387,

36.6. onde nos jardins de Academo,

36.7. junto dum templo consagrado às Musas

36.8. fundou uma escola,

36.9. denominada,

36.10. por este facto,

36.11. Academia.

. Esta rapidamente se tornou

37.1. no maior centro intelectual da Antiga Grécia,

37.2. tendo por ela passado

37.3. filósofos e políticos,

37.4. como

37.4.1. Aristóteles,

37.4.2. Eudoxo de Cnido,

37.4.3. Xenócrates,

37.4.4. Demóstenes

37.4.5. e outros.

38. À entrada

38.1. uma legenda proibia

38.2. o acesso a todos aqueles

38.3. que não soubessem geometria.

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::::::: Aristóteles :::::::

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39. Platão ficou em Atenas,

39.1. cerca de vinte anos,

39.2. até que,

39.3. em 367,

39.4. voltou à Sicília,

39.5. com a ideia de converter

39.6. o novo monarca-Dionísio (o Moço),

39.7. num filósofo-rei.

40. Mais uma vez,

40.1. os resultados não foram brilhantes,

40.2. o que não impediu de voltar à ilha em 361,

40.3. com idênticos propósitos.

41. O resultado desta última viagem foi terrível:

41.1. suspeito pelas suas ideias políticas,

41.2. foi perseguido e feito escravo,

41.3. sendo como tal vendido no mercado de Egina,

41.4. acabando por ser comprado

41.5. por um dos seus amigos.

42. Voltou a Atenas

42.1. onde morreu em 347,

42.2. numa altura em que

42.3. a cidade lutava contra Filipe da Macedónia,

42.4. e cujo desfecho lhe foi fatal.

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::::::: Obras de Platão :::::::

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43. A Academia de Platão

43.1. Localização histórico-geográfica

43.2. Organização da Academia

43.3. Ensino na Academia de Platão

43.4. O método de ensino no Estado Ideal de Platão

43.5. A Academia depois de Platão

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::::::: Localização Histórico – Geográfica :::::::

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44. A Akademia ou Hekademeia

44.1. era originalmente um parque público

44.2. com alamedas e belas árvores,

44.3. adornada com estátuas,

44.4. templos

44.5. e sepulcros de homens ilustres

44.6. onde haviam sido plantadas oliveiras.

45. Trata-se de uma área localizada

45.1. num dos mais bonitos subúrbios de Atenas,

45.2. perto de Kolonos,

45.3. terra natal de Sófocles,

45.4. a cerca de seis estádios

45.5. das portas da cidade

45.6. voltadas para noroeste.

46. A estrada principal para a Akademeia

46.1. era uma avenida cerimonial

46.2. com cerca de trinta metros de largura,

46.3. em linha recta.

47. Nessa estrada

47.1. localizava-se um cemitério

47.2. (Demosium Sema),

47.3. onde eram erigidos

47.4. túmulos e monumentos

47.5. a todos os cidadãos

47.6. a quem se dava uma honra particular

47.7. após a morte.

48. Havia também dois templos:

48.1. um dedicado a Artemisa

48.2. e outro a Dionisio.

49. A Akademia era assim

49.1. um lugar afastado e solitário,

49.2. dedicado a um lendário heroi ático

49.3. chamado Akademos ou Hekademos,

49.4. de onde proveio o nome daquela área.

50. Era também um lugar sagrado,

50.1. rico em celebrações religiosas

50.2. e cerimónias fúnebres

50.3. onde eram venerados

50.4. deuses e heróis

50.5. e onde tiveram lugar

50.6. vários festivais antigos.

51. No final da estrada principal,

51.1. encontra-se a parede de Hiparco,

51.2. construída por volta do século VI,

51.3. e que rodeava

51.4. uma extensa área rectangular

51.5. de 450m por 300m.

52. À entrada da Akademia

52.1. havia um altar dedicado a Eros,

52.2. o deus do amor.

53. No interior do parque,

53.1. cheio de árvores

53.2. e atravessado por vários caminhos

53.3. ladeados por altares

53.4. dedicados a alguns deuses e heróis,

53.5. havia também um gymnasium,

53.6. um dos três existentes em Atenas na época,

53.7. uma palestra com pórticos ladeados por colunas,

53.8. e um complexo

53.9. que compreendia um pequeno edifício

53.10. com balneários

53.11. e outras zonas de diversos usos.

54. Embora

54.1. a maior parte das palestras

54.2. fossem privadas,

54.3. a que se situava na Akademeia

54.4. era pública.

55. Já os gináseos

55.1. eram, em geral,

55.2. instituições públicas

55.3. e o de Akademeia

55.4. não era exepção.

56. Para além dos monumentos sagrados,

56.1. podiam ainda encontrar-se

56.2. vários jardins,

56.3. pequenas casas

56.4. e residências suburbanas

56.5. de atenienses

56.6. prósperos e abastados.

57. Também

57.1. Platão possuía uma pequena propriedade

57.2. no interior desta área.

58. Como cidadão ateniense,

58.1. tinha o direito de comprar terrenos,

58.2. e como obviamente não podia comprar toda a Akademeia

58.3. que era um lugar público,

58.4. comprou apenas uma pequena parte.

59. "Platão foi capaz de definir a sua escola

59.1. e de lhe dar permanência física

59.2. de uma maneira que

59.3. muitos outros professores não conseguiram:

59.4. comprou uma pequena propriedade perto da Academia,

59.5. o que permitiu que a sua escola

59.6. tivesse uma dimensão pública e privada (…)

59.7. os seus sucessores estavam assim capacitados

59.8. para usar a parte privada da escola

59.9. bem como os edifícios

59.10. e os terrenos próximos

59.11. das redondezas do santuário público"

****** J. Patrick, Aristotle´s school.

****** A study of greek educational institution, 1972

60. Foi nesta propriedade

60.1. que, por volta de 388/7,

60.2. depois da sua primeira viagem a Siracusa,

60.3. Platão abriu a sua escola

60.4. na qual escreveu

60.5. e a ensinou regularmente

60.6. os grupos dos seus seguidores.

61. A escolha de Platão é certeira.

62. Na verdade,

62.1. poucos lugares

62.2. poderiam constituir

62.3. um retiro mais favorável

62.4. ao estudo

62.5. e à inspiração das musas.

63. Por outro lado,

63.1. Platão também

63.2. não deverá ter sido

63.3. alheio ao prestígio religioso

63.4. deste local.

64. Por outro lado ainda,

64.1. porque a academia se situava

64.2. nas proximidades

64.3. de palestras e de um ginásio,

64.4. verdadeiras instituições culturais

64.5. da Atenas clássica

64.6. às quais recorriam com regularidade

64.7. muitos rapazes,

64.8. entre os quinze e os vinte anos,

64.9. para praticarem exercícios de ginástica,

64.10. atletismo e luta,

64.11. para tocar flauta

64.12. ou apenas conversar

64.13. sobre assuntos filosóficos ou políticos.

65. Locais portanto

65.1. privilegiados

65.2. em termos de afluência de jovens

65.3. potencialmente interessados

65.4. em adquirir conhecimentos

65.5. que prolongassem a sua educação.

66. Após a implementação da escola de Platão,

66.1. o local continuou a servir

66.2. para as funções públicas

66.3. e religiosas usuais,

66.4. mantendo-se a prática

66.5. das actividades desportivas

66.6. a que se destinava.

67. Tal facto

67.1. não deixava de ser proveitoso

67.2. para Platão

67.3. pois, deste modo,

67.4. o local continuava a ser

67.5. ponto de encontro

67.6. de potenciais frequentadores

67.7. da sua escola.

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::::::: Organização da Academia :::::::

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68. Se entrássemos

68.1. nos aposentos de Platão

68.2. na Academia,

68.3. provavelmente encontraríamos

68.4. um quarto simples,

68.5. que servia de aposento de dormir,

68.6. de sala de leitura

68.7. e de sala de trabalho.

69. Este quarto

69.1. estaria ornamentado

69.2. com dois quadros

69.3. representando Sócrates

69.4. no seu auge

69.5. e no final da sua vida

69.6. (C. Planeaux, 1998).

70. Um deles

70.1. seria uma cena

70.2. do diálogo de Protágoras de Platão:

70.3. Sócrates está levantado

70.4. em posição de se ir embora

70.5. mas Cálias,

70.6. segurando-lhe na mão,

70.7. exigia que o filósofo

70.8. continuasse a discussão com Protágoras.

71. Retratados nesta cena

71.1. estariam também

71.1.1. Hípias,

71.1.2. Pródico,

71.1.3. Eriximaco,

71.1.4. Fedro,

71.1.5. Andron,

71.1.6. Pausanias,

71.1.7. Agaton,

71.1.8. Adeimantos,

71.1.9. Crítias,

71.1.10. Hipócrates

71.1.11. e Alcibíades.

72. Na parede oposta,

72.1. estaria representada

72.2. uma cena do diálogo Fedro

72.3. em que Sócrates

72.4. se encontra rodeado

72.5. pelos seus amigos

72.6. no dia da sua morte.

73. Neste quarto,

73.1. encontraríamos também

73.2. a cadeira de professor

73.3. (thronos),

73.4. pequenos bancos

73.5. para alguns alunos

73.6. (bathra),

73.7. um quadro branco

73.8. (leukoma),

73.9. um globo celeste,

73.10. um modelo mecânico

73.11. do percurso dos planetas do céu,

73.12. um globo terrestre

73.13. e ainda uma colecção de mapas.

74. Deveria também existir uma biblioteca,

74.1. embora na altura

74.2. possuir uma biblioteca

74.3. fosse muito raro.

75. A biblioteca de Platão

75.1. incluía seguramente

75.2. uma colecção de livros

75.3. entre os quais

75.4. figurava os escritos dos pitagóricos,

75.5. as peças de Sófocles e Aristófanes

75.6. e algumas obras de Tucidíades.

76. Poderíamos ainda ver

76.1. um relógio despertador

76.2. feito pelo próprio Platão,

76.3. que era um madrugador

76.4. (C. Planeaux, 1998)

76.5. e que considerava

76.6. que deveríamos

76.7. restringir o nosso sono

76.8. o mais possível.

77. Além disso,

77.1. na Academia

77.2. existiam diversas salas de aula

77.3. e quartos para os discípulos.

78. A Academia estava organizada

78.1. como uma comunidade

78.2. constituída pelos membros mais avançados

78.3. e pelos jovens estudantes.

79. Não se tratava

79.1. de modo algum

79.2. de um grupo

79.3. em que

79.4. um era o sábio

79.5. e os outros

79.6. se encontravam à procura das doutrinas

79.7. ou dos serviços do mestre

79.8. mas de uma comunidade de estudiosos

79.9. com diferentes graus de desenvolvimento.

80. Embora Platão fosse o fundador da escola

80.1. (scholarchos),

80.2. parece ter desenvolvido

80.3. em relação aos membros mais avançados da sua escola

80.4. uma relação do tipo

80.5. "primeiro entre iguais",

80.6. sem nenhum lugar de destaque.

81. A metáfora usada no Index Academicus

81.1. acerca do papel de Platão

81.2. é reveladora:

81.3. "agir como um arquitecto e resolver problemas",

81.4. enquanto os outros membros da escola o seguiam.

82. "O papel de Platão

82.1. parece ter sido

82.2. não o de um "mestre"

82.3. ou até de um director do seminário,

82.4. distribuindo temas para pesquisa

82.5. ou prémios de ensaios,

82.6. mas o de um pensador individual

82.7. cujo discernimento e capacidade

82.8. na formulação de um problema

82.9. lhe permite oferecer um concelho geral

82.10. ou uma crítica metódica

82.11. a outros pensadores individuais

82.12. que respeitem a sua sabedoria

82.13. e que possam ser dominados

82.14. pela sua personalidade,

82.15. mas que se considerem igualmente

82.16. competentes a lidar

82.17. com os detalhes

82.18. dos diversos assuntos".

82.19. (Patrick,1972)

83. Diz-se

83.1. por vezes

83.2. que o contacto de Platão

83.3. com a irmandade Pitagórica

83.4. da Itália Meridional,

83.5. imediatamente antes da fundação da Academia,

83.6. lhe teria sugerido

83.7. as linhas gerais de organização da sua escola.

84. Pode haver alguma verdade nisto

84.1. mas não há nenhuma evidência que o garanta.

85. O que se sabe

85.1. é que a Academia tinha uma sólida estrutura institucional.

86. Era uma comunidade

86.1. cujos membros se achavam estreitamente unidos pela amizade,

86.2. por um forte vínculo afectivo,

86.3. senão passional,

86.4. entre mestres e alunos.

87. No que diz respeito

87.1. a aspectos económicos,

87.2. parece que Platão

87.3. não cobrava honorários.

88. No entanto,

88.1. apenas aqueles

88.2. que tinham possibilidades materiais

88.3. para se sustentarem

88.4. por um número considerável de anos

88.5. podiam ser membros

88.6. da escola de Platão.

89. Acerca da regulamentação

89.1. para os alunos da academia,

89.2. não existem muitas certezas.

90. Talvez houvesse horas de reunião,

90.1. horas de discussão

90.2. e horas de silêncio,

90.3. a par com normas de convívio,

90.4. de trabalho

90.5. e de civilidade.

91. Não havia exames

91.1. mas pensa-se que

91.2. havia provas de maturidade.

92. Platão parece ter sido

92.1. o primeiro a utilizá-las

92.2. na indagação das qualidades

92.3. de estudo e de reflexão

92.4. dos seus discípulos e ouvintes.

93. A escola de Platão

93.1. foi a primeira a reunir

93.2. todas as características

93.3. de uma verdadeira escola:

94. ao contrário das palestras dos gramatistés

94.1. onde se ensinava a ler e a escrever,

94.2. na Academia

94.3. veiculavam-se novos saberes,

95. ao contrário dos sofistas

95.1. que se dedicavam,

95.2. cada um,

95.3. ao ensino dos temas da sua preferência

95.4. ou especialidade,

95.5. na academia era ensinado

95.6. um corpo organizado de conhecimentos

96. ao contrário dos sofistas

96.1. e de Sócrates,

96.2. a academia constituía um espaço próprio

96.3. para o ensino dentro da cidade

97. ao contrário da escola de Isócrates,

97.1. a academia possuía um regulamento interno

97.2. que previa a sua continuidade

97.3. para além da morte do seu fundador.

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:::::::: O ensino na Academia de Platão :::::::

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98. Platão ensinava

98.1. em duas áreas distintas:

98.2. o ginásio e o jardim

98.3. que era efectivamente

98.4. propriedade de Platão

98.5. e não fazia parte do espaço público.

99. Platão dava lições aos principiantes

99.1. num dos halls de pilares do gymnasium

99.2. ou na êxedra

99.3. (sala delimitada por três paredes,

99.4. sendo a quarta completamente aberta e mobilada

99.5. apenas com bancos),

99.6. e guardava o seu jardim

99.7. para discussões com os alunos mais avançados.

100. Chegavam indivíduos de toda a Grécia

100.1. para assistir às aulas de Platão na Academia.

101. Após a sua saída da Academia,

101.1. muitos dos discípulos de Platão

101.2. contribuíram para espalhar

101.3. um pouco por toda a parte,

101.4. as ideias do mestre,

101.5. em especial

101.6. as suas ideias políticas.

102. Os estudantes ouviam Platão

102.1. no gymnasium e nos jardins

102.2. e, por vezes,

102.3. as discussões continuavam

102.4. enquanto se apreciava

102.5. um banquete agradável e moderado.

103. De facto,

103.1. as refeições eram conduzidas

103.2. de acordo com um elaborado

103.3. conjunto de regras

103.4. e Platão organizava estes festins

103.5. para honrar os deuses,

103.6. partilhar da companhia dos seus companheiros

103.7. e criar condições favoráveis

103.8. ao estabelecimento de sábias discussões.

104. Muitas vezes

104.1. encontraríamos Platão

104.2. com os seus companheiros da Academia

104.3. contemplando definições matemáticas

104.4. ou discutindo questões metafísicas.

105. Por vezes,

105.1. Platão formularia problemas matemáticos

105.2. que vários companheiros tentavam resolver.

106. Frequentemente,

106.1. liam-se e discutiam-se

106.2. os próprios diálogos de Platão

106.3. compromentendo-se os estudantes

106.4. a tentar escrever por si próprios

106.5. diálogos nos mesmos moldes.

107. Através dos Diálogos,

107.1. conseguimos adivinhar

107.2. o método de ensino de Platão.

108. Estes mostram-nos

108.1. um mestre hábil no manejo da dialéctica

108.2. que, longe de inculcar nos seus discípulos

108.3. o resultado obtido pelo seu esforço,

108.4. os fazia trabalhar,

108.5. levando-os a descobrir,

108.6. por si mesmos,

108.7. as dificuldades

108.8. e, posteriormente,

108.9. a encontrar,

108.10. à custa de aprofundamentos progressivos,

108.11. o meio de as superar.

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::::::: O Método de Ensino no Estado Ideal de Platão :::::::

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109. Através dos programas descritos

109.1. em duas das grandes obras de Platão,

109.2. a República e as Leis,

109.3. sabemos o que Platão pensava

109.4. que deveria ser a educação.

110. Na sociedade que Platão idealizou

110.1. existem três classes:

110.1.1. classe dos artífices e comerciantes,

110.1.1.1. cuja virtude é a temperança;

110.1.2. a classe dos guerreiros,

110.1.2.1. cuja virtude é a coragem

110.1.3. e a classe dos filósofos

110.1.3.1. cuja virtude é a sabedoria.

111. Se a classe dos filósofos governar,

111.1. se a classe dos guerreiros se encarregar da defesa

111.2. e a classe dos artífices e comerciantes

111.3. mantiver as duas outras classes,

111.4. existirá harmonia e equilíbrio

111.5. e a justiça poderá ser alcançada.

112. Na República e nas Leis,

112.1. para além de desenhar o seu estado ideal,

112.2. Platão também define o sistema educacional

112.3. que o manterá,

112.4. apresentando assim as suas ideias

112.5. sobre a educação,

112.6. o valor da poesia e da música,

112.7. a utilidade das ciências,

112.8. da filosofia e do filósofo.

113. Platão começa por defender

113.1. uma sólida formação básica

113.2. que evolui até elevados estudos filosóficos,

113.3. considerando que só indivíduos especialmente dotados

113.4. poderiam chegar à filosofia.

114. Para se chegar a este nível de educação

114.1. é necessário passar por um nível de formação básica,

114.2. à qual terá dado o nome de educação preparatória.

115. Esta terá por função

115.1. desenvolver de forma harmoniosa

115.2. o espírito e o corpo.

116. Segundo Platão,

116.1. Atenas negligenciava a educação da juventude,

116.2. desinteressava-se

116.3. e deixava-a nas mãos dos particulares.

117. O estado deveria preocupar com a formação

117.1. daqueles que seriam os futuros cidadãos.

118. Para ele,

118.1. a educação deveria tornar-se algo público,

118.2. os mestres deveriam ser escolhidos pela cidade

118.3. e controlados por magistrados especiais.

119. Platão defendia ainda

119.1. que a educação deveria ser igual

119.2. para rapazes e raparigas,

119.3. mas só até aos seis anos.

120. A partir desta idade

120.1. teriam mestres

120.2. e classes diferentes.

121. Platão defendia

121.1. que o ensino deveria durar 50 anos.

122. Nos primeiros anos de vida,

122.1. dos 3 aos 6 anos,

122.2. as crianças deveriam participar em jogos educativos,

122.3. em jardins especialmente concebidos para elas

122.4. e sob atenta vigilância.

123. No entanto, para Platão,

123.1. como para todos os gregos,

123.2. a educação propriamente dita,

123.3. só começaria aos 7 anos.

124. Como formação inicial,

124.1. Platão conservou a antiga Paideia grega,

124.2. escolha que se revestiu

124.3. de enorme importância

124.4. para o desenvolvimento da tradição clássica,

124.5. permitindo a sua continuidade

124.6. e o seu enriquecimento

124.7. com a cultura filosófica.

125. A educação antiga da Grécia,

125.1. era constituída

125.2. por duas partes:

125.2.1. gymnastiké (ginástica) para o corpo

125.2.2. e mousiké para alma.

126. Em relação à ginástica,

126.1. Platão recrimina a função de competição

126.2. que lhe fora atribuída ao longo dos tempos.

127. Segundo ele,

127.1. a ginástica deveria regressar

127.2. à sua forma original,

127.3. incidindo exclusivamente

127.4. em exercícios de carácter militar,

127.5. desempenhados tanto por rapazes

127.6. como por raparigas,

127.4. preparando-os para o combate.

128. O seu programa de jogos

128.1. incluia a luta,

128.2. as corridas a pé,

128.3. os combates de esgrima,

128.4. os combates de infantaria pesada

128.5. e de infantaria leve,

128.6. o arremesso de flecha com arco,

128.7. a funda,

128.8. marcha e manobras tácticas,

128.9. a prática do acampamento

128.10. e a caça.

129. Esta preparação militar

129.1. deveria ocorrer nos ginásios

129.2. e nos estádios públicos,

129.3. sob a direcção de monitores profissionais

129.4. cujos honorários seriam pagos pelo Estado.

130. A ginástica

130.1. seria iniciada neste nível mais elementar

130.2. e continuaria até à idade adulta.

131. A sua finalidade

131.1. não era alcançar a força física de um atleta,

131.2. mas contribuir para a formação do carácter

131.3. e da personalidade.

132. Platão considerava

132.1. que os homens que se dedicavam

132.2. exclusivamente à ginástica,

132.3. acabavam por se tornar insensíveis à cultura

132.4. e eram pouco mais do que selvagens.

133. Ainda em relação à ginástica,

133.1. refira-se que Platão

133.2. inclui nela

133.3. todo o domínio da higiene,

133.4. as indicações em relação ao regime de vida

133.5. e especialmente ao regime alimentar,

133.6. assunto intensamente tratado

133.7. na literatura médica do tempo.

134. À ginástica

134.1. Platão acrescentava ainda a dança,

134.2. insistindo bastante

134.3. na sua prática e ensino,

134.4. pois considerava-a um meio de disciplinar

134.5. a espontaneidade dos jovens,

134.6. contribuindo para a disciplina moral.

135. No ciclo entre os 10 e os 13 anos,

135.1. a criança deveria aprender a ler e a escrever,

135.2. iniciando em seguida

135.3. o estudo dos autores clássicos,

135.4. integralmente

135.5. ou em antologias

135.6. (trechos escolhidos).

136. Para além dos poetas,

136.1. Platão defende também

136.2. o estudo de autores em prosa.

137. Platão criticava o ensino dos poetas

137.1. como Homero

137.2. pois considerava

137.3. que os mitos pervertiam a criança

137.4. e não lhe ensinavam a virtude.

138. Assim, para ele,

138.1. as obras de poetas

138.2. como Homero e Hesíodo

138.3. davam uma ideia maliciosa

138.4. das divindades.

139. No período dos 13 aos 16 anos,

139.1. a música ocupa um lugar de distinção.

140. Para Platão

140.1. a pessoa rectamente educada pela música,

140.2. pelo facto de a assimilar espiritualmente,

140.3. sente desabrochar dentro de si,

140.4. desde a sua mocidade

140.5. e numa fase ainda recuada do seu desenvolvimento,

140.6. uma certeza infalível

140.7. de satisfação pelo belo

140.8. e de repugnância pelo feio,

140.9. a qual o habilita mais tarde

140.10. a saudar alegremente,

140.11. como algo que lhe é afim,

140.12. o conhecimento da verdade,

140.13. quanto ele se apresentar.

141. A música contribui,

141.1. assim,

141.2. para a formação harmoniosa da alma.

142. Segundo Platão,

142.1. ela não abrange apenas

142.2. o que se refere ao tom e ao ritmo,

142.3. mas também,

142.4. e até em primeiro lugar,

142.5. a palavra falada,

142.6. o logos.

143. O estudo das matemáticas

143.1. foi sempre reservado

143.2. a um grau superior do ensino.

144. Para Platão,

144.1. no entanto,

144.2. as matemáticas

144.3. deveriam encontrar o seu lugar

144.4. em todos os níveis,

144.5. começando pelo mais elementar,

144.6. sendo aprofundada

144.7. a partir dos 16 anos

144.8. e prolongada nos estudos superiores.

145. Esta inovação de Platão

145.1. inspira-se provavelmente

145.2. nas práticas egípcias

145.3. a que a ele teve acesso.

146. Assim,

146.1. à aritmética,

146.2. acrescentou a prática dos exercícios de cálculo

146.3. ligados a problemas concretos da vida

146.4. e dos negócios.

147. Estes primeiros exercícios

147.1. possuíam já uma virtude formadora,

147.2. sendo seu objectivo

147.3. a aplicação da matemática

147.4. à vida prática,

147.5. à arte militar,

147.6. ao comércio,

147.7. à agricultura

147.8. e à navegação.

148. Para além da geometria,

148.1. a que dava a maior importância,

148.2. Platão defende também

148.3. o ensino uma ciência

148.4. totalmente nova,

148.5. a estereometria

148.6. (cálculo do volume de sólidos).

149. Prevê o estudo da astronomia

149.1. que deveria permitir

149.2. adquirir os conhecimentos mínimos

149.3. para o uso do calendário.

150. Segundo Platão,

150.1. são precisamente as matemáticas

150.2. que servem como meio

150.3. de pôr à prova

150.4. os espíritos mais aptos

150.5. a tornarem-se um dia

150.6. dignos da filosofia.

151. Ao mesmo tempo

151.1. que seleccionam os futuros filósofos,

151.2. formam-nos e preparam-nos

151.3. para os seus futuros trabalhos.

152. Aos 17 e aos 18 anos

152.1. os estudos intelectuais interrompem-se

152.2. por dois ou três anos

152.3. porque aos jovens era imposto o serviço militar.

153. Neste período,

153.1. segundo Platão,

153.2. a fadiga e o sono

153.3. impedem qualquer estudo.

154. Aos 20 anos

154.1. realiza-se uma selecção

154.2. por meio da qual

154.3. os menos dotados

154.4. eram destinados ao exército;

154.5. numa segunda selecção,

154.6. levada a efeito mais tarde,

154.7. a maioria dos jovens

154.8. era encaminhada para diversas

154.9. profissões e ofícios civis

154.10. e só os mais dotados

154.11. iniciariam os estudos superiores,

154.12. mas não directamente para a filosofia.

155. Durante ainda 10 anos,

155.1. continuam o estudo das ciências,

155.2. mas agora a um nível superior.

156. O programa é a aritmética,

156.1. a astronomia e a música,

156.2. a geometria

156.3. (plana e no espaço).

157. Todas estas ciências

157.1. devem eliminar

157.2. qualquer experiência prática

157.3. tornando-se totalmente racionais,

157.4. por exemplo,

157.5. a astronomia deve ser

157.6. uma ciência matemática

157.7. e não uma ciência da observação.

158. As matemáticas

158.1. são o instrumento

158.2. da formação dos filósofos,

158.3. que através dos problemas elementares de cálculo,

158.4. devem ser encaminhados

158.5. para um grau superior de abstracção.

159. Platão diz

159.1. que as matemáticas

159.2. não devem preencher a memória

159.3. com conhecimentos úteis,

159.4. mas formar um espírito capaz

159.5. de receber a verdade inteligível.

160. É interessante verificar

160.1. que Platão não esquece

160.2. o papel da educação

160.2.1. literária,

160.2.2. artística

160.2.3. e física

160.3. na personalidade

160.4. e na harmonia do todo,

160.5. mas este papel

160.6. não tem comparação

160.7. com o desempenho

160.8. pela matemática

160.9. na iniciação da cultura

160.10. que leva à busca da verdade.

161. Somente aos 30 anos,

161.1. no fim de um ciclo de matemáticas transcendentes

161.2. e depois de um última selecção,

161.3. se inicia o método propriamente filosófico,

161.4. a dialéctica,

161.5. discussão do problema do bem e do mal,

161.6. do justo e do injusto,

161.7. caminho para o conhecimento e a verdade.

162. Passados cinco anos

162.1. os estudantes estarão

162.2. na plena posse deste instrumento,

162.3. o único que conduz à verdade.

163. Os que chegarem a esta fase

163.1. devem ser capazes

163.2. de ultrapassar

163.3. a percepção dos sentidos

163.4. e penetrar o próprio Ser.

164. Durante quinze anos ainda,

164.1. o homem já assim formado

164.2. deve adquirir experiência

164.3. participando na vida activa da cidade.

165. Aos cinquenta anos,

165.1. estará completa a sua educação,

165.2. se tiver sobrevivido

165.3. e superado todas as provas.

166. Ele reconhecerá a possibilidade

166.1. de atingir a meta suprema

166.2. que é a ideia do Bem.

167. Poderá então exercer um cargo

167.1. na direcção do estado,

167.2. não como uma honra

167.3. mas como um dever.

168. Este plano de Platão,

168.1. que abarca a vida inteira,

168.2. tem unicamente como objectivo

168.3. formar um pequeno grupo de governantes

168.4. – filósofos,

168.5. aptos a tomar as rédeas do governo

168.6. para o bem do estado.

169. Em suma,

169.1. todo o sistema educativo de Platão

169.2. se baseia na procura da Verdade

169.3. cuja posse definirá

169.4. o verdadeiro filósofo

169.5. e também o verdadeiro político.

170. O curso de estudos,

170.1. para Platão

170.2. deveria ser

170.3. de cinco períodos:

171. 1º- dos 3 aos 6 anos:

171.1. Prática do pentatlo

171.2. (Nome colectivo

171.3. de cinco exercícios

171.4. que constituíam

171.5. os jogos da Grécia,

171.6. em que entravam os atletas:

171.6.1. salto,

171.6.2. carreira,

171.6.3. luta,

171.6.4. pugilato

171.6.5. e disco.

172. Dança e música

172.1. para ambos os sexos).

173. 2º- dos 7 aos 13 anos:

174.1. Introdução paulatina

174.2. da cultura intelectual

174.3. e acentuação

174.4. dos exercícios físicos.

175. A partir dos 10 anos,

175.1. aprendizagem

175.2. da leitura e escrita

175.3. e cálculo

175.4. por processos práticos.

176. Afasta-se assim

176.1. dos costumes atenienses

176.2. que começavam

176.3. a educação intelectual

176.4. antes dos 10 anos.

177. 3º- dos 13 aos 16 anos:

178. Período da educação musical.

179. O programa é dividido

179.1. em duas secções:

180. Uma literária,

180.1. compreendendo

180.2. gramática e aritmética;

181. Outra musical,

181.1. compreendendo

181.2. poesia e música.

182. Ensina-se

182.1. a tocar a cítara

182.2. e prefere-se

182.3. a música

182.3.1. dórica,

182.3.2. enérgica

182.3.3. e viril.

183. 4º- dos 17 aos 20 anos:

184. Período da educação militar.

185. Os jovens deverão

185.1. adquirir resistência

185.2. e uma saúde a toda a prova.

186. Será preciso harmonizar

186.1. a música à ginástica,

186.2. faziam-se os homens ferozes.

187. Somente com a música,

187.1. produzir-se-iam

187.2. os afeminados.

188. 5º- dos 21 anos em diante:

189. Apenas os jovens mais capazes

189.1. devem continuar a educação

189.2. já com carácter superior

189.3. e baseada

189.4. nas Matemáticas e Filosofia.

190. Entre eles,

190.1. seleccionam-se

190.2. os futuros governantes,

190.3. prosseguindo sua educação

190.4. até os 50 anos.

191. Essa educação

191.1. pode ser distribuída

191.2. da seguinte forma:

192. · Dos 21 aos 30 anos:

192.1. estuda-se com profundidade:

192.1.1. aritmética,

192.1.2. geometria

192.1.3. e astronomia.

193. · Dos 31 aos 35 anos:

193.1. predomínio da formação

193.2. filosófica e dialéctica,

193.3. sem prejuízo dos estudos matemáticos.

194. · Dos 35 aos 50 anos:

194.1. O magistrado será incumbido

194.2. de uma função pública

194.3. e empregará os seus talentos

194.4. para a prosperidade do Estado.

194.5. Ninguém será admitido ao governo,

194.6. antes dos 50 anos de idade.

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5. A Academia depois de Platão

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195. Quando Platão faleceu,

195.1. cerca de 347/348 a.C.,

195.2. a Academia foi herdada

195.3. por seu sobrinho Speusipo,

195.4. que sucedeu como escolarca

195.5. durante oito anos

195.6. (347 – 339 a.C.).

196. Tal facto

196.1. entristeceu Aristóteles

196.2. que, aquando da morte de Platão,

196.3. pensou poder vir ser

196.4. o novo escolarca da Academia.

197. Quando Speusipo faleceu,

197.1. os membros da Academia

197.2. elegeram Xenócrates

197.3. (400 – 314 a.C.)

197.4. como escolarca,

197.5. cargo que ocupou

197.6. durante vinte e cinco anos,

197.7. desde 339 a.C. até à sua morte.

198. Xenócrates,

198.1. que juntamente com Aristóteles,

198.2. era um dos discípulos preferidos de Platão,

198.3. teve uma certa influência

198.4. no desenvolvimento da escola,

198.5. acentuando-se com ele

198.6. a tendência para o pitagorismo.

199. "O ensino de Xenócrates

199.1. terá sido um lógico prolongamento

199.2. do que nessa escola

199.3. havia de mais fundo e acroamático:

199.4. o ensino da matemática"

199.5. Sant’Ana Dionísio,

199.5.1. Pedagogia Culminante dos Gregos, 1962

200. O sucessor de Xenócrates

200.1. na Academia

200.2. foi Pólemon de Atenas

200.3. que permaneceu à frente

200.4. dos destinos da Academia

200.5. durante quarenta e quatro anos

200.6. (314 -270 a.C.).

201. Crates de Atenas

201.1. foi quem sucedeu a Pólemon,

201.2. de quem era amigo,

201.3. na direcção da academia

201.4. entre 270 e 265 a.C..

202. Sucedeu-lhe Arcesilau

202.1. (316 -240 a.C.),

202.2. entre 265 e 240 a.C.

202.3. com quem a Academia

202.4. entra numa fase céptica.

203. Arcesilau defende

203.1. a inexistência de um critério de verdade,

203.2. negando a possibilidade do conhecimento

203.3. e argumentando que o homem sábio

203.4. não deve emitir juízos.

204. A corrente céptica

204.1. mantem-se na Academia

204.2. e atinge o seu auge

204.3. com o sucessor de Arcesilau,

204.4. Carneiades

204.5. (215 – 129 a.C.).

205. Segue-se Antíloco

205.1. que vai pôr

205.2. definitivamente de parte

205.3. o cepticismo

205.4. em favor de um ecletismo

205.5. que resulta

205.6. da assimilação de elementos

205.6.1. estóicos,

205.6.2. platónicos

205.6.3. e mesmo aristotélicos.

206. Entre os séculos III e VI d.C.,

206.1. a escola entra na fase do neoplatonismo,

206.2. inaugurada por Plotino (204 – 270 d.C.).

207. A sua filosofia

207.1. é muito mais

207.2. do que uma síntese do platonismo,

207.3. podendo mesmo considerar-se

207.4. uma recapitulação

207.5. de quase toda a filosofia grega.

208. Plotino ensinou

208.1. até quase ao fim da sua vida

208.2. e teve várias figuras ilustres

208.3. entre os seus discípulos.

209. Escreveu cinquenta e quatro tratados,

209.1. editados por Porfírio (234 – 305 a.C.),

209.2. seu principal discípulo e biógrafo.

210. Depois de Plotino,

210.1. seguiram-se ainda

210.1.1. Porfírio,

210.1.2. Amélio

210.1.3. e Damáscio

210.2. à frente dos destinos da Academia.

211. A Academia manteve-se em actividade

211.1. durante cerca de nove séculos,

211.2. tendo sido encerrada

211.3. quando Damáscio era o escolarca,

211.4. em 529 d.C.,

211.5. pelo imperador bizantino Justiniano I,

211.6. que considerava

211.7. que esta administrava

211.8. ensinamentos pagãos.

212. A primeira escola

212.1. é ainda aquela

212.2. que, até hoje,

212.3. teve uma vida mais longa.

——————

Ruínas da Academia

——————

213. Diversos autores

213.1. distinguem

213.2. diferentes períodos

213.3. na história da Academia

213.4. depois de Platão.

214. Sexto Empírico (sec. II – sec. III a.C.)

214.1. enumera cinco momentos

214.2. e, com eles, cinco Academias:

214.3. a primeira fundada por Platão;

214.4. Arcesilau seria o fundador da Segunda,

214.5. Carnéades o da Terceira,

214.6. Fílon e Cármides da Quarta

214.7. e Antíoco da quinta Academia.

215. Outro ponto de vista

215.1. é defendido por Cícero (106 – 43 a.C.)

215.2. que reconhece apenas duas academias:

215.3. a Velha Academia,

215.4. de Platão e de seus seguidores fiéis

215.5. e a Nova Academia,

215.6. que começa com Arcesilau.

216. Por seu lado,

216.1. Diógenes Laércio (sec. III d.C.),

216.2. considera três períodos na vida da instituição:

216.3. a Velha Academia

216.4. iniciada por Platão

216.5. e continuada pelos seguidores

216.6. que ensinaram estritamente

216.7. a doutrina do mestre

216.8. sem qualquer mistura ou corrupção;

216.9. a Média Academia

216.10. abarcando todos aqueles

216.11. que, como Arcesilau,

216.12. com certas inovações

216.13. relativamente ao sistema platónico,

216.14. não o bandonaram completamente;

216.15. a Nova Academia

216.16. que se inicia com Carneiades

216.17. e se caracteriza pelo cepticismo

216.18. dos seus ensinamentos.

—————–

:

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http://143.107.237.20/~edsonro/hq2bckup/Set99/3167475b.htm (Platão)

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