Investigação Acerca do Entedimento Humano_David Hume_Parte I

 
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::: Versão eletrônica do livro ::::::::::::::::::::
::: “Investigação Acerca do Entedimento Humano” :::
::: Autor: David Hume :::::::::::::::::::::::::::::
::: Tradução: Anoar Aiex ::::::::::::::::::::::::::
::: Créditos da digitalização: Membros do grupo :::
::: de discussão Acrópolis (Filosofia) ::::::::::::
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::: Ensaio Sobre o Entendimento Humano :::
::: David Hume :::::::::::::::::::::::::::
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1. SEÇÃO I
1.1. DAS DIFERENTES CLASSES DE FILOSOFIA1
 
2. A FILOSOFIA MORAL,
2.1. ou ciência da natureza humana2,
2.2. pode ser tratada
2.3. de duas maneiras diferentes;
2.4. cada uma delas
2.5. tem seu mérito peculiar
2.6. e pode contribuir para
2.6.1. o entretenimento,
2.6.2. instrução
2.6.3. e reforma
2.7. da humanidade.
 
3. A primeira
3.1. considera o homem
3.2. como nascido
3.3. principalmente
3.4. para a ação;
3.5. como influenciado
3.6. em suas avaliações
3.7. pelo gosto
3.8. e pelo sentimento;
3.9. perseguindo um objeto
3.10. e evitando outro,
3.11. segundo o valor
3.12. que esses objetos
3.13. parecem possuir
3.14. e de acordo
3.15. com a luz
3.16. sob a qual
3.17. eles próprios
3.18. se apresentam.
 
4. Como se admite
4.1. que a virtude
4.2. é o mais valioso
4.3. dos objetos,
4.4. os filósofos
4.5. desta classe
4.6. pintam-na
4.7. com as mais agradáveis cores
4.8. e, valendo-se da poesia
4.9. e da eloquência,
4.10. discorrem
4.11. acerca do assunto
4.12. de maneira fácil
4.13. e clara:
4.14. o mais adequado
4.15. para agradar
4.16. a imaginação
4.17. e cativar
4.18. as inclinações.
 
5. Escolhem,
5.1. na vida cotidiana,
5.2. as observações
5.3. e exemplos
5.4. mais notáveis,
5.5. colocam
5.6. os caracteres opostos
5.7. num contraste adequado
5.8. e, atraindo-nos
5.9. para os caminhos
5.10. da virtude
5.11. com visões de glória
5.12. e de felicidade,
5.13. dirigem nossos passos
5.14. nestes caminhos
5.15. com os mais
5.16. sadios preceitos
5.17. e os mais
5.18. ilustres exemplos.
 
6. Fazem-nos sentir
6.1. a diferença
6.2. entre o vício
6.3. e a virtude;
6.4. excitam e regulam
6.5. nossos sentimentos;
6.6. e se eles podem
6.7. dirigir nossos corações
6.8. para o amor da probidade
6.9. e da verdadeira honra,
6.10. pensam
6.11. que atingiram plenamente
6.12. o fim
6.13. de todos os seus esforços.
 
7. Os filósofos
7.1. da outra classe
7.2. consideram o homem
7.3. mais um ser racional
7.4. que um ser ativo,
7.5. e procuram formar
7.6. seu entendimento
7.7. em lugar de melhorar-lhe
7.8. os costumes.
 
8. Consideram
8.1. a natureza humana
8.2. objeto de especulação
8.3. e examinam-na
8.4. com rigoroso cuidado
8.5. a fim de encontrar
8.6. os princípios
8.7. que regulam
8.8. nosso entendimento,
8.9. excitam
8.10. nossos sentimentos
8.11. e fazem-nos
8.12. aprovar ou censurar
8.13. qualquer objeto particular,
8.14. ação
8.15. ou conduta.
 
9. Julgam
9.1. uma desgraça
9.2. para toda a literatura
9.3. que a filosofia
9.4. não tenha estabelecido,
9.5. além da controvérsia,
9.6. o fundamento da moral,
9.7. do raciocínio
9.8. e da crítica;
9.10. e que sempre
9.11. tenha que falar
9.12. da verdade e da falsidade,
9.13. do vício e da virtude,
9.14. da beleza e da fealdade,
9.15. sem ser capaz
9.16. de determinar
9.17. a fonte
9.18. destas distinções.
 
10. Enquanto tentam realizar
10.1. esta árdua tarefa,
10.2. nenhuma dificuldade
10.3. os desencoraja;
10.4. passam de casos particulares
10.5. para princípios gerais,
10.6. e conduzem ainda mais
10.7. suas investigações
10.8. para princípios mais gerais,
10.9. e não ficam satisfeitos
10.10. até chegar
10.11. àqueles princípios primitivos
10.12. que, em toda ciência,
10.13. devem limitar
10.14. toda curiosidade humana.
 
11. Embora
11.1. suas especulações
11.2. pareçam abstratas
11.3. e mesmo ininteligíveis
11.4. aos leitores comuns,
11.5. aspiram
11.6. à aprovação dos eruditos
11.7. e dos sábios
11.8. e consideram-se
11.9. suficientemente compensados
11.10. pelo esforço
11.11. de toda a existência
11.12. se puderem descobrir
11.13. algumas verdades ocultas
11.14. que possam contribuir
11.15. para o esclarecimento
11.16. da posteridade.
 
12. Certamente,
12.1. a filosofia
12.2. fácil e dada
12.3. terá sempre preferência,
12.4. para a maioria dos homens,
12.5. sobre a filosofia
12.6. exata e abstrusa;
12.7. e por muitos
12.8. será recomendada,
12.9. não apenas
12.10. como a mais agradável,
12.11. mas também
12.12. como mais útil
12.13. do que a outra.
 
13. Ela penetra mais
13.1. na vida cotidiana,
13.2. molda
13.3. o coração e os afetos,
13.4. e ao atingir
13.5. os princípios
13.6. que impulsionam os homens,
13.7. reforma-lhes
13.8. a conduta
13.9. e aproxima-os
13.10. mais do modelo de perfeição
13.11. que ela descreve.
 
14. Ao contrário,
14.1. a filosofia abstrusa,
14.2. alicerçada
14.3. numa concepção
14.4. que não pode penetrar
14.5. na vida prática
14.6. e na ação,
14.7. desvanece
14.8. quando o filósofo
14.9. sai da sombra
14.10. e penetra no dia claro,
14.11. nem seus princípios
14.12. podem manter
14.13. facilmente
14.14. qualquer influência
14.15. sobre nossa conduta
14.16. e nossos costumes.
 
15. Os sentimentos
15.1. de nosso coração,
15.2. a perturbação
15.3. de nossas paixões
15.4. e a impetuosidade
15.5. de nossas emoções,
15.6. dissipam
15.7. todas as suas conclusões
15.8. e reduzem
15.9. o filósofo profundo
15.10. a um simples
15.11. plebeu.
 
16. É preciso também
16.1. reconhecer
16.2. que a filosofia fácil
16.3. adquiriu
16.4. a mais durável
16.5. como também
16.6. a mais justa
16.7. fama,
16.8. e que
16.9. os raciocinadores abstratos
16.10. têm apenas,
16.11. até aqui,
16.12. gozado de uma reputação
16.13. momentânea,
16.14. nascida do capricho
16.15. ou da ignorância
16.16. de sua própria época,
16.17. mas eles
16.18. não têm sido capazes
16.19. de manter sua fama
16.20. ante o juízo eqüitativo
16.21. da posteridade.
 
17. Um filósofo profundo
17.1. pode facilmente
17.2. cometer um erro
17.3. em seus raciocínios sutis,
17.4. e um erro
17.5. é necessariamente gerado
17.6. de um outro,
17.7. visto que ele
17.8. o desenvolve
17.9. até suas conseqüências
17.10. e não é dissuadido
17.11. em adotar uma conclusão
17.12. de aspecto incomum
17.13. ou por ser contrária
17.14. à opinião popular.
 
18. Mas um filósofo
18.1. que apenas se propõe
18.2. representar
18.3. o sentimento comum
18.4. da humanidade
18.5. nas cores mais belas
18.6. e mais agradáveis,
18.7. se por acidente
18.8. cai em erro,
18.9. recorre novamente
18.10. ao senso comum
18.11. e aos sentimentos naturais
18.12. do espírito
18.13. e assim volta
18.14. ao caminho certo
18.15. e se protege
18.16. de ilusões perigosas.
 
19. A fama de Cícero
19.1. floresce no presente,
19.2. mas a de Aristóteles
19.3. está completamente decadente.
 
20. La Bruyére
20.1. ultrapassou os mares
20.2. e ainda mantém sua reputação;
20.3. todavia,
20.4. a glória de Malebranche
20.5. está limitada
20.6. à sua própria nação
20.7. e à sua própria época.
 
21. Addison,
21.1. talvez,
21.2. será lido com prazer
21.3. quando Locke
21.4. estiver completamente
21.5. esquecido.3
 
22. O mero filósofo
22.1. é geralmente
22.2. uma personalidade
22.3. pouco admissível
22.4. no mundo,
22.5. pois supõe-se
22.6. que ele
22.7. em nada contribui
22.8. para o benefício
22.9. ou para o prazer
22.10. da sociedade,
22.11. porquanto
22.12. vive distante
22.13. de toda comunicação
22.14. com os homens
22.15. e envolto
22.16. em princípios
22.17. e noções
22.18. igualmente distantes
22.19. de sua compreensão.
 
23. Por outro lado,
23.1. o mero ignorante
23.2. é ainda mais desprezado,
23.3. pois não há sinal
23.4. mais seguro
23.5. de um espírito grosseiro,
23.6. numa época
23.7. e uma nação
23.8. em que as ciências florescem,
23.9. do que permanecer
23.10. inteiramente destituído
23.11. de toda espécie
23.12. de gosto
23.13. por estes nobres
23.14. entretenimentos.
 
24. Supõe-se que
24.1. o caráter mais perfeito
24.2. se encontra
24.3. entre estes dois extremos:
24.4. conserva igual capacidade
24.5. e gosto para os livros,
24.6. para a sociedade
24.7. e para os negócios;
24.8. mantém na conversação
24.9. discernimento e delicadeza
24.10. que nascem da cultura literária;
24.11. nos negócios,
24.12. a probidade
24.13. e a exatidão
24.14. que resultam naturalmente
24.15. de uma filosofia
24.16. conveniente.
 
25. Para difundir
25.1. e cultivar
25.2. um caráter
25.3. tão aperfeiçoado,
25.4. nada pode ser mais útil
25.5. do que as composições
25.6. de estilo e modalidade fáceis,
25.7. que não se afastam
25.8. em demasia
25.9. da vida,
25.10. que não requerem,
25.11. para ser compreendidas,
25.12. profunda aplicação
25.13. ou retraimento
25.14. e que devolvem o estudante
25.15. para o meio
25.16. de homens plenos
25.17. de nobres sentimentos
25.18. e de sábios preceitos,
25.19. aplicáveis
25.20. em qualquer situação
25.21. da vida humana.
 
26. Por meio
26.1. de tais composições,
26.2. a virtude
26.3. toma-se amável,
26.4. a ciência agradável,
26.5. a companhia instrutiva
26.6. e a solidão
26.7. um divertimento.
 
27. O homem
27.1. é um ser racional
27.2. e, como tal,
27.3. recebe da ciência
27.4. sua adequada nutrição
27.5. e alimento.
 
28. Mas
28.1. os limites
28.2. do entendimento humano
28.3. são tão estreitos
28.4. que pouca satisfação
28.5. se pode esperar
28.6. neste particular,
28.7. tanto pela extensão
28.8. como pela segurança
28.9. de suas aquisições.
 
29. O homem
29.1. é um ser sociável
29.2. do mesmo modo
29.3. que racional.
 
30. No entanto,
30.1. nem sempre
30.2. pode usufruir
30.3. de uma companhia agradável
30.4. e divertida
30.5. ou conservar
30.6. o gosto adequado
30.7. para ela.
 
31. O homem
31.1. é também
31.2. um ser ativo,
31.3. e esta tendência,
31.4. bem como
31.5. as várias necessidades
31.6. da vida humana,
31.7. o submete
31.8. necessariamente
31.9. aos negócios
31.10. e às ocupações;
31.11. todavia,
31.12. o espírito precisa
31.13. de algum repouso,
31.14. já que
31.15. não pode manter
31.16. sempre sua inclinação
31.17. para o cuidado
31.18. e o trabalho.
 
32. Parece, pois,
32.1. que a Natureza
32.2. indicou
32.3. um gênero misto
32.4. de vida
32.5. como o mais apropriado
32.6. à raça humana,
32.7. e que ela secretamente
32.8. advertiu aos homens
32.9. de não permitirem
32.10. a nenhuma destas tendências
32.11. arrastá-los em demasia,
32.12. de tal modo que
32.13. os torne incapazes
32.14. para outras ocupações
32.15. e entretenimentos.
 
33. Tolero vossa paixão
33.1. pela ciência,
33.2. diz ela,
33.3. mas fazei
33.4. com que
33.5. vossa ciência
33.6. seja humana
33.7. de tal modo que
33.8. possa ter
33.9. uma relação direta
33.10. com a ação
33.11. e a sociedade.
 
34. Proíbo-vos
34.1. o pensamento abstruso
34.2. e as pesquisas profundas;
34.3. punir-vos-ei severamente
34.4. pela melancolia
34.5. que eles introduzem,
34.6. pela incerteza sem fim
34.7. na qual vos envolvem
34.8. e pela fria recepção
34.9. que vossos supostos
34.10. descobrimentos
34.11. encontrarão
34.12. quando comunicados.
 
35. Sede um filósofo,
35.1. mas,
35.2. no meio
35.3. de toda
35.4. vossa filosofia,
35.5. sede sempre
35.6. um homem.
36. (…)
 
 
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